Entrevistas

À conversa com Edith Maurer Bussink, Higienista oral

Kriens, Suíça, dezembro de 2013 – Edith Maurer Bussink, 53, tem uma clínica própria de higiene oral em Biel-Benken/cantão de Basle Land.

À conversa com Edith Maurer Bussink, Higienista oral

Início da discussão: os tópicos

 

Edith Maurer, como é ser higienista oral? Tártaro, tártaro e mais tártaro?
Na realidade, há imensas coisas para limpar e examinar. O lado positivo é que as cáries dentárias têm-se tornado cada vez menos comuns. No entanto, ainda há muitas questões a trabalhar: as pessoas continuam a escovar demasiado os dentes e com demasiada pressão.

É possível que estejamos a escovar os dentes demasiadas vezes?
Na verdade, não, mas se a escovagem for feita sempre com muita pressão, principalmente com escovas de rigidez média e alta, isto cria um efeito abrasivo ao longo do tempo. As gengivas também acabam por se retrair e a raiz do dente fica exposta.

E provoca dor?
Sim, provoca, e há um outro problema que raramente provoca dor: a inflamação das gengivas, ou gengivite; e este problema, sim, prevalece bastante.

Porque é que é considerado um problema?
Só um médico ou um higienista oral podem diagnosticar este problema com alguma certeza. Se nunca forem feitos check-ups com regularidade, não nos apercebemos da situação e com o passar dos anos isso pode levar a outro problema mais preocupante, a periodontite. A partir daí, a perda dos dentes passa a ser uma questão de tempo.

O que pode ser feito nestas situações?
Podem ser tomadas várias medidas, mas demoram muito tempo. A solução ideal é tratar as gengivas inflamadas imediatamente e impedir que se crie novamente inflamação.

É difícil?
Não, de todo. Na realidade, é até bastante fácil. Só é preciso mostrar às pessoas como se faz.

O sulco gengival

Como é que podemos prevenir a inflamação das gengivas?
O segredo é remover corretamente a placa bacteriana. O problema é que muitas pessoas escovam apenas os dentes.

O que é que é preciso escovar mais?
O sulco gengival. É vital.

O que é o sulco gengival?
É o pequeno espaço entre os dentes e a gengiva. As bactérias acumulam-se neste espaço e formam depósitos, e esta é a principal causa de inflamação das gengivas.

Por outras palavras, devemos limpar as gengivas em vez dos dentes?
Isso é um bocado exagerado, mas, basicamente, sim. Se limparmos o sulco gengival corretamente, também estamos a limpar os dentes.

Como é que isso funciona?
Tem que se posicionar corretamente a escova: metade dos filamentos deve estar sobre os dentes e a outra metade sobre as gengivas. A escova deve ser posicionada de forma inclinada, e formar um ângulo que permita aos filamentos ficarem posicionados na direção do sulco gengival.

E depois?
Depois começa-se a escovar, fazendo pequenos círculos com a escova e exercendo a menor pressão possível. Para isto, é necessária uma escova particularmente macia, com filamentos muito finos.

Porquê?
Os filamentos finos penetram facilmente no sulco gengival e assim evitam que a gengiva fique magoada.

É comum podermos magoar a gengiva?
Sim. Conseguir alcançar o sulco gengival com filamentos de escovas semirrígidos ou mesmo rígidos requer muita pressão, e isso magoa as gengivas. A gengiva retrai e deixa expostas as raízes dos dentes.

Fio dentário

Portanto, as escovas de dentes mais suaves são muito importantes?
Sem dúvida. Vejo bastantes vezes partes de dentes que parecem ter sido “moídos”.

Só porque se usou a escova de dentes errada?
As pessoas costumam lavar os dentes logo a seguir a comerem – quando têm resíduos ácidos na boca –, o que intensifica este efeito.

Será melhor não escovar os dentes sequer, nesse caso?
Não – escovar os dentes é bom, mas é melhor esperar cerca de meia hora a uma hora, para permitir que o equilíbrio ácido-base volte ao normal. Depois, é melhor usar uma escova densa e suave.

E deve usar-se fio dentário também?
Uma vez por dia é o suficiente, à noite antes de se escovar os dentes. Mas deve ter-se atenção para não nos magoarmos.

Como?
As pessoas costumam fazer alguma pressão para que o fio passe entre os dentes. Quando passa, fá-lo muito rápido e o fio pode cortar as gengivas.

E isso é assim tão mau?
Bom, se acontecer demasiadas vezes pode fazer com que a gengiva se retraia.

O que é que devemos então fazer?
Deve usar-se apenas fio dentário onde ele é necessário. Normalmente apenas nos caninos e nos incisivos.

Só nesses? Porquê?
As laterais dos incisivos e dos caninos são muito suaves e aí o fio dental consegue remover o depósito de forma excelente.

E os outros dentes?
Os outros dentes têm nichos e o fio dental só vai passar por cima deles. Dificilmente vai limpar alguma coisa aí.

A anatomia dos molares

Porquê?
Os dentes da frente e os caninos só têm uma raiz, mas os restantes têm duas. Na mandíbula superior os molares até têm três raízes. É por causa disto que os nossos dentes laterais e os molares não são direitos como os dentes da frente e criam estes desníveis, principalmente entre os dentes.

E como é que são estes desníveis?
A melhor forma de descrevê-los é dizer que são nichos virados para dentro, e são uns excelentes esconderijos para as bactérias que se acumulam entre os dentes.

Não é possível alcançá-los com a escova de dentes?
Não, e o fio dentário também não. Um pequeno escovilhão interdentário é o ideal, com filamentos longos que alcancem bem estes espaços e os deixem limpos.

E se não fizermos isso?
Nesse caso, a gengiva entre os dentes vai começar a defender-se das bactérias.

Como?
Muda o seu próprio clima, torna-se inflamada para que as bactérias sofram.

...E isso ajuda?
Não. As bactérias que começam a multiplicar-se rapidamente são exatamente aquelas que não queremos. E as bactérias boas começam a ser ultrapassadas em número, e isto provoca algum desequilíbrio.

Isso não é bom...
Não. A inflamação piora e é um processo que passa despercebido. Resulta numa periodontite. A situação só melhora quando se extrai o dente. Mas e o que é que se faz sem um dente?

Pode colocar-se um implante.
É verdade, mas os implantes implicam mais atenção que os dentes naturais.

Implantes

Os implantes não se degradam, pois não?
Bem, é uma questão de inflamação, outra vez. A gengiva à volta do implante fica mais vulnerável a processos inflamatórios do que um dente natural.

Não estou a perceber.
Ajuda se conseguirmos compreender o que se passa com os dentes naturais: estes têm uma linha de gengiva e, uma vez que as bactérias gostam de se acumular nessa linha, os nossos corpos têm duas estratégias para combater estas bactérias.

E que estratégias são essas?
Uma forte circulação sanguínea e a expulsão.

Quais os efeitos dessa forte circulação sanguínea?
Transporta os materiais que nos defendem contra as bactérias exatamente para onde eles devem ir. É por isso que o tecido à volta dos dentes é tão irrigado. Os anticorpos são levados para muito perto dos dentes e da linha das gengivas, de forma a combater as bactérias.

E a expulsão?
A linha das gengivas produz um fluído – chamado sulcus.

Quer dizer a saliva?
Não, a saliva é algo muito diferente. Vem das glândulas salivares. O sulcus, pelo contrário, é produzido à volta dos dentes na linha das gengivas. Este fluído concentra-se na linha da gengiva e tenta limpar as bactérias. Quase como um regadio.

E com um implante?
A circulação fica afetada, e o sulcus não é produzido.

Como é que isso acontece?
O local onde o dente natural estava fica muito cicatrizado. Tudo o que resta é osso e membrana mucosa. O traçado fino das veias minúsculas é praticamente destruído e, como resultado, os anticorpos não conseguem chegar onde são necessários.

O que é que pode ser feito?
É vital que a linha da gengiva à volta do implante seja bastante bem limpa diariamente – muito melhor do que num dente natural. Os escovilhões interdentários são indispensáveis nestes casos, e quanto mais finos forem, melhor. Além disso, já há escovas de dentes e fio dentário desenhados especialmente para tratar bocas com implantes. A vantagem destes materiais é que os filamentos conseguem alcançar o espaço por baixo da coroa do implante. Eu recomendo limpar a zona atentamente duas vezes por dia e usar todas estas ferramentas, para ter a certeza que a limpeza foi eficaz.

Como?
O mais indicado é ser o nosso dentista ou higienista oral a explicar como se faz. Assim podemos ter a certeza de estar a usar o tamanho correto de escovilhão interdentário. Se for muito pequeno, não vai limpar a zona corretamente e, se for muito grande, pode causar danos.

Só vossos – para a vida inteira

O tempo gasto a lavar os dentes é bastante, então.
É o normal. Pode-se lavar os dentes de manhã e os espaços interdentários à noite. A meio do dia, pode fazer-se apenas uma lavagem geral, para limpar um pouco. É o suficiente.

É possível mantermos os dentes naturais a vida inteira?
Sim, e se esse for o nosso objetivo, aceitamos este esforço mínimo sem problemas. Qualquer pessoa que já tenha perdido um dente sabe que é quase uma experiência traumática. É tão melhor podermos manter os nossos dentes uma vida inteira. Há até uma maneira melhor de garantir que mantemos os nossos dentes naturais o resto da vida.

Que é?
Usar uma técnica a solo. Envolve limpar cada dente individualmente, com uma escova especial. Existem cursos que nos ensinam a limpar um dente de cada vez. Isto quase garante que podemos manter os dentes naturais uma vida.

As crianças e os idosos

Como devem fazer as crianças e os idosos.
Com as crianças, a rotina de higiene oral deve começar assim que cresce o primeiro dente – e isto é algo que muitas pessoas esquecem. E é melhor fazê-lo com uma escova de dentes muito suave. Por exemplo, a escova CURAPROX CURAkid é muito suave e até recebeu um prémio de melhores filamentos pela revista “Wir Eltern”, em 2013.

É muito importante usar escovas com filamentos suaves nas crianças?
Sim. Primeiro que tudo, isso evita que se magoem. Depois, com uma escova suave os bebés habituam-se à ideia de que escovar os dentes é divertido. Acabam por gostar de escovar os dentes, porque isso não os magoa – algo que aconteceria com uma escova de filamentos mais rígidos.

E as pessoas idosas?
O fluxo da saliva diminui com o tempo. No entanto, é importante ter saliva, uma vez que contém minerais, enzimas e proteínas importantes para a saúde oral. Recomendo o uso de uma pasta dentífrica suave, particularmente a Enzycal da Curaprox, que contém enzimas presentes na saliva. Também não contém LSS.

Qual é o problema do Lauril Sulfato de Sódio (LSS)?
O LSS está presente em quase todas as pastas de dentes. Provoca espuma e ajuda a limpar ligeiramente, mas ataca a mucosa oral. Também recomendo que as pessoas que têm úlceras na boca usem uma pasta sem LSS.

Obrigada pela conversa!

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